Freguesia de Candemil
Candemil é uma das freguesias do Marão Ocidental que pertence ao concelho de Amarante, com 1.201 ha e 19.097m de perímetro, apresentando a forma de retângulo, variando o seu relevo, entre as cotas de 300m e 900m de altitude, cavada a meio pelo rio Marão, sendo constituída por seis lugares habitados: Candemil, Revilhães, Gião, Espinheiro Murgido e Granja. Porém, no período que antecede a romanização, terão existido dentro dos atuais limites da freguesia quatro castros: Castra Oresbi, Corba Chã, Candemil e Gião. Em Corba Chã, terá habitado um pópulu, anterior à romanização e à cultura castreja, tendo-se encontrado cerca de 70 moedas do período da romanização. Ainda hoje é considerado um local de culto religioso a Nossa Senhora dos Remédios. Como castro terá sido a cabeça de todos os outros. O Castra Oresbi terá existido como acampamento romano e os outros são anteriores a este período. Antes destes castros, podemos referir o menir fálico, do período megalítico que representa a manifestação cultural dum povo que terá habitado a região, em função de um deus indígena, passando Corba Chã, a um culto religioso na Idade Média, como local de peregrinação.
Como paróquia, Candemil (Candemir) aparece-nos pela primeira vez, no século VI, fazendo parte das paróquias suevo-visigóticas, constituída por três localidades na margem direita do rio Marão, com exceção de Murgido. As paróquias suevas e visigóticas não exerciam jurisdição sobre os seus territórios, começando a fazer-se com a Reforma Gregoriana em 1049. Como todas as outras, os seus limites foram-se concretizando durante a Baixa Idade Média, após a formação da nacionalidade, à medida que se ia caminhando para a centralização do poder. A organização paroquial foi feita de uma forma lenta, tendo em atenção os diversos fatores históricos. Candemil era uma das doze paróquias da margem esquerda do rio Tâmega que, até ao século XIX, (1853) pertenceram ao concelho de Gestaço.
Foi com as primeiras inquirições que se começou a saber a quem pertenciam as terras e a definir os limites de cada uma, confirmados, no caso de Candemil, com o tombo de mil quinhentos e quarenta e seis, onde estão bem delimitados os territórios de cada um dos lugares, não constando o lugar do Espinheiro, existentes naquele tempo, tendo sofrido duas ligeiras alterações na Época Contemporânea: uma com a cedência do Rodelo, no século XVIII, na margem direita da Ribeira da Póvoa e a outra, no século XXI no Gardal. Pertenceu ao Arcebispado de Braga.
É a partir do início da nacionalidade – 1152 – que nos aparece Sanctos Crestophani ou Cristophori de Candemir, surgindo, em 1172, a Ermida de Sancto Christophano, como nas Inquirições de 1220, onde o rei não era patrono, sendo constituída por casais, pertencendo uma parte destes casais ao Mosteiro de Freixeno, conforme referência nas Inquirições de 1258, no lugar de Murgido. até finais do séc. XIII. Desde que foi instituída paróquia, neste século, foi Abadia de Apresentação do Mosteiro de Caramos com Reserva do Ordinário – só o Abade podia absolver os crimes como homicídio e fogo posto. Uma parte dos rendimentos eram para o Mosteiro e a outra para os nobres que aqui possuíam terras – copadroado – obrigando-se a pagar 20 libras.
Esta Ermida, atual Igreja, sofreu várias alterações ao longo do tempo, onde o pároco era designado como Abade. No séc. XIX, (1852) terá tido a última alteração exterior com a construção da atual torre sineira, tendo um dos sinos sido reposto uns anos mais tarde e o interior sofrido um incêndio, no fim deste mesmo séc., destruindo o altar – mor e a capela – mor. A sua reconstrução custou mais de 1 000 000 de réis, tendo António Cândido exercido a sua influência junto da coroa com a participação de mais de metade da despesa. No início do séc. XX, foram roubadas todas as imagens.
Em Chelo, um pouco acima de Candemil, existiram três eremitérios. Estes eremitérios eram característicos do período da Reconquista e anterior. Eram lugares ermos, afastados dos povoados. Neles viviam os eremitas que se entregavam à oração.
Até ao séc. XVI a Abadia de Candemil tinha como única filial a capela de Covacheiro que ficaria implantada, não muito longe, da atual de Corba Chã. Mas, a partir deste século, cada um dos lugares vai ter a sua, excetuando o lugar de Revilhães. Assim temos: a capela de Gião construída no século XVII, sofrendo alterações no século XVIII – orago S. Ovídio, Murgido – séc. XVII (1650) – orago Nossa Senhora dos Remédios, Granja, finais deste mesmo século – orago S. Salvador e Espinheiro final do séc. XX (1995) – orago S. José.
Candemil, tinha no século XIII quatro pontes de pau. A que une Revilhães a Gião foi reconstruída em pedra no século XIX por influência da Casa de Aldeia e todas outras, reconstruídas em betão no séc. XX, mas nenhuma delas liga diretamente a freguesia por rede viária. Por causa disso, não será alheia a escolha do orago S. Cristóvão por causa da dificuldade em atravessar o rio Marão. Também neste século foi construída a levada de Gião.
Até ao terceiro quartel do século XX, as pessoas viviam essencialmente da agricultura de subsistência. Também foi o período de maior emigração. Atualmente a agricultura nos antigos moldes é uma atividade residual, evidenciando-se, com sucesso, na criação de gado caprino, com destaque para os afamados cabritos, na produção de mel e de mirtilos.
